Olha, amizade. São muitos. Mas é inevitável dizer - doa a quem doer (só pra rimar.) - que a concentração de renda e riqueza tomou níveis alarmantes em nosso país.
Não é nem muito preciso dizer que ela tomou níveis alarmantes, uma vez que não se sabe se a história já começou assim ou se a corda arrebentou mesmo foi de uns tempos pra cá. Cada um mete o pau em quem mais lhe apraz.
Pois então, essa marca – que atravessou o tempo – se alia, na estrutura, à concentração de poder. Fato evidente, visto que o poder sempre esteve nas mãos de um grupo dos vários que compõem a famosa Elite. Uma elitizinha, visto sua proporção diminuta.
Essa elite deve se valer desse poder econômico e/ou político para atuar segundo seus interesses.
Um aviso inevitável é, então, uma lição da própria história do homem organizado em sociedade.
Frente a um abismo social como é o que percebemos hoje, resta a vocês repartir ou concentrar. Cada opção dessas gera um novo contexto. A dúvida que permeia o bom-senso aristocrático é justamente se a concentração de poder está tão abismal assim que as respostas da interação social não sejam outras além de violência,indiferença, medo, miséria...
Outra faceta muito importante a ser destacada nesse problema é que a concentração do poder público, na mão dessa elite apenas, faz com que os interesses de outros grupos não sejam representados.
Só a tomada de consciência dos grupos sem participação no poder de que sua inclusão só é possível através da representatividade no poder público é que pode melhorar esse quadro.
A atual configuração: o poder para poucos – é insustentável.
Contra essa tomada de consciência pesam questões como: a aversão que grande parte da população sente frente ao poder público. Organizado de forma a coibir grupos consideráveis da constituição de um país*, o poder público não é parte integrante da noção de cidadania do pobre, do negro no Brasil.
Essa questão é reforçada pela constatação de que a cena política nos apresenta argumentos para desacreditá-la e até mesmo vê-la como um mal. Essa é a noção da política como um jogo sujo que alija importantes segmentos sociais da participação cidadã na vida pública. Esta não é aspirada por grupos importantes que, sem representatividade, alimentam esse sistema em que há a unânime permanência de uma pequena elite econômica no poder.
Esse fato acaba fazendo com que grande parcela da população desacredite a política por ter se construído a idéia de que a força dos grupos econômicos poderosos sempre é dominante.
Repito. Só a tomada de consciência dos grupos sem participação no poder de que sua inclusão só é possível através da representatividade no poder público é que pode melhorar esse quadro.
Tudo isso elucidado ficam as idéias de que as elites devem repensar seu papel e de que apenas uma profunda mudança em nosso quadro político representativo pode equilibrar o poder. Dessa forma torna-se possível a execução das três reformas básicas de distribuição por que tem que passar uma sociedade capitalista: Agrária, Tributária e Social.
* Como é o caso dos pobres, e negros em específico, no Brasil: presos em bolsões de pobreza, eles enfrentam a chaga da vadiagem (imagem construída) que permite uma política de segurança pública extremamente agressiva.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Qual é o problema do Brasil?
Postado por
Sérgio Recepute
às
08:46
0
comentários
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Todo homem é político. O jornalista é. O historiador é. Trata-se de um valor inegável do homem. Você que não é, é. E você que é, também. Mas, então, todos lutamos por poder? Talvez.
Àqueles que lutam chamamos políticos. Precisamos deles. Alguém tem que ser. Se não tem tu, vai tu mesmo. E assim aprendemos a agir. Não importa que ele se preocupe mais com seus interesses individuais.
O cosmo humano se reproduz em qualquer grupo que seja. A variedade humana. Santos e demônios. Tudo. Não seria diferente na política.
Talvez seja importante não se negar esse direito.
A política é o que é. Já o sistema pode ser mudado. Erra o anarquista que não acredita nele, mas vive sob ele.
Por tempos se lutou para definir um sistema político. Parece que hegemonicamente a democracia está se consolidando. Com todos os seus problemas. Assim como o capitalismo. Talvez fosse o momento de agregar novidades ao invés de combater. Combater sim, mas de dentro da máquina. Lutar pela lei que se quer. Sob a qual se quer viver. A liberdade existente permite isso. Permite? São muitas hesitações e perguntas. Cabe respondê-las
Postado por
Sérgio Recepute
às
12:28
0
comentários
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Define muito mais a política a vontade de poder dos homens que a ideologia.
Pois se alguns homens já não se dão, é difícil um governo único. Em qualquer escala. E longe disso passa a ideologia. A ideologia é, antes de tudo, um disfarce. E aqui cabe uma crítica a esses que afirmam ser sua ideologia mais fraterna, mais humana. Pode ser, mas são tudo fantasias teóricas que se veste. Em verdade, há o poder entre os homens.
Não nego a habilidade de um homem congregar a unidade total. Apenas acredito na dificuldade dessa tarefa política. Ela não deixa de ser o objetivo de todo aquele que busca poder.
A ideologia nesse contexto de poder surge como um álibi. É a prova de que não estávamos lá no lugar do crime. Mas não existe crime perfeito, existe?
Mas e as pessoas? Será que se enganam com essa conversa?
Algumas sim, algumas não.
Aquelas que acreditam jogam o jogo, muitas vezes, ignorando as suas regras e pagando esse preço.
Aquelas que não acreditam sofrem a acusação de paganismo, ou mesmo heresia. Uma semelhança com a Igreja.
Para aquelas que não acreditam, e seguindo o mote eclesiástico, afirmo que a luz talvez esteja mais perto de suas frontes sedentas que daqueles, pois, em resumo, o que há é o poder entre os homens. Ideologia é moda, e moda passa.
Postado por
Sérgio Recepute
às
18:05
0
comentários
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Os deveres do Homem
O homem é um bicho muito do preguiçoso. De onde já se viu inventar uma carta de direitos? A carta de direitos deveria ter vindo acompanhada de uma carta de deveres. O ideais da revolução francesa continuam acontecendo. O homem declara seus direitos e esquece-se dos seus deveres. Anos mais tarde, depois de morrerem aproximadamente 50 milhões de pessoas na Segunda Grande Guerra, novamente foi apregoada a idéia de direitos do homem.
Prece claro que essa afirmação de direitos tão apregoada na revolução francesa veio por estabelecer as novas bases de atuação de um grupo social que se tornava hegemônico, a burguesia. Este grupo fixava para si, na revolução de 1789, suas metas – que seriam garantidas pelos seus direitos.
A burguesia capitalista instaurava-se no poder eliminando os resquícios de participação da Igreja no Estado, estabelecendo a cidadania entre os homens e garantindo-lhes proteção em troca de honra à sua bandeira – o nacionalismo. Não só honra. Como se pode ver com uma olhadela na história, o nacionalismo gerou muito mais sangue que ‘progresso’. Ainda mais quando compartilhamos com Drummond e entendemos a dinâmica das coisas em
Infatigável:
“O progresso não recua
Já transformou esta rua
em buraco.
E o progresso continua.
Vai abrir neste buraco
outra rua.
Afinal, da nova rua,
o progresso vai compor
Outro buraco.
Porém, sigamos.
Na esteira dos direitos do homem, a carta das Nações Unidas, declaração universal dos direitos do homem de 26 de junho de 1945, foi apenas mais uma tentativa infeliz de botar idéias no papel e de achar que isso serve para alguma coisa.
Porém o momento é chegado em que o ambiente humanizado pede ao homem ações. Pede que ele não se isente de cumprir com seus deveres primários. Pois se o ser humano desenvolveu seu intelecto e se diferenciou do bicho, deve ele saber que sua independência lhe dá deveres para consigo e para com todos os demais. O ambiente proporcionou-lhe a expansão de seus meios. Os recursos naturais lhe possibilitaram o sucesso eletro-eletrônico. Tudo o que está posto hoje é fruto da curiosidade humana. Tudo isso carrega consigo o homem e parte da vida de um homem que se destinou a formar o que aí está. Essa etapa de compressão espaço-temporal a que chegou pede uma nova posição do homem frente a seu espaço. Antes a natureza se oferecia totalmente às sociedades e dispor de seus recursos era o mais natural a fazer. Acontece que chegou um tempo, creio que ainda não potencialmente evidenciado, em que far-se-á necessário resguardar o natural, utilizando-se dele modesta e compreensivelmente. O tal ‘mundo sustentável’.
Postado por
Sérgio Recepute
às
13:03
0
comentários
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A reinvenção do homem
O problema, seja qual for, será proveniente de erro humano. Todos os sistemas complexos que o ser humano forjou em sociedade, para a melhor organização da mesma, resultam em problemas que, por sua origem, não tem fim. Pois, visto que o homem é, desde sempre, seu erro primário e seu criador, não há possibilidade alguma de sanar o erro sem eliminar a fonte. Trata-se então de um problema insolúvel?
O Estado moderno é, em tese, o instrumento responsável por garantir a organização social. Este instrumento moderno, fruto de inúmeras decorrências históricas, aparece como a estrutura concentradora do poder. E assim segue sendo. O Estado seria responsável por manipular o poder em prol dos anseios da sociedade que o fixou. Ele é, portanto, responsável por garantir a ordem para o melhor desenvolvimento da sociedade em um âmbito o mais amplo possível. Respeitando os diversos setores que se relacionam em uma amálgama social complexa.
A questão reside então em dois pontos:
Um é a estruturação e organização de um modelo que busque a justiça inerente a qualquer comunidade humana. Dos índios da amazônia aos kibutzin israelenses, da união soviética de Stalin às tribos nômades africanas – toda organização humana em comunidade buscou a fuga à desordem de elementos individuais e egoístas que agem unicamente por seu sustento e não confiam no outro.
Essa fuga, todavia, historicamente, acaba por chegar em uma margem outra que, no entanto, é a própria imagem da saída, como o reflexo em um espelho.
Eis aqui o segundo ponto. Apesar de o ser humano ser um bicho social, e sempre, ele é também um bicho egoísta. Sendo assim, é muito difícil a ele a manipulação do poder para os objetivos aos quais este estava inicialmente determinado: funcionar para o desenvolvimento da sociedade em um âmbito geral, posto que cada um aceita participar dessa reunião humana tendo em mente (de uma forma intrínseca) que este pacto é uma solução conjunta com o objetivo de atender a todos.
Daí que surge a questão: se este pacto não atende aos seus objetivos firmados em conjunto, estará ele seguindo a base mesma de sua origem?
Ao analisar a destruição que o homem conseguiu gerar a si próprio e ao seu planeta, percebemos que as estruturas criadas pelo homem não podem ser destruídas senão pela destruição desse próprio homem que formulou todo esse sistema, pois ele é o erro e ao mesmo tempo o criador do sistema social.
Consertar o erro implica confrontar o próprio homem. Então, consertar o erro implica ao homem reinventar-se a si mesmo.
Postado por
Sérgio Recepute
às
07:34
0
comentários